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domingo, 15 de janeiro de 2012

RESISTENTES de Armando de Castro ||| PROCURANDO NO ANCESTRAL de Javi Mojave



EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA - Inauguração 24 de janeiro de 2012
"RESISTENTES"
Histórias Fotografadas do Comércio Tradicional

Esta exposição corresponde a um pequeno acervo fotográfico integrado num projecto iniciado em 2008 e, não se esgotando com ela, tem a intenção de dar um contributo para o património fotográfico da cidade de Lisboa, com incidência em referentes sociais que infelizmente estão a desaparecer.
No decorrer deste trabalho, ao gosto da pesquisa e da prática fotográfica junta-se o do contacto com esta realidade humana, o que por si só seria motivador bastante.
As pessoas que fui conhecendo, tornaram-se pela sua “resistência” uma linha condutora na minha intenção de os retratar, ou aos seus locais de trabalho, como testemunhos de um sector económico e de uma faixa sócio-profissional que tem vindo a ter dificuldade em sobreviver.
Nesses locais continuam a assegurar um relacionamento humano que resiste à massificação e ao anonimato da circulação nas grandes cidades.
Armando Castro


terça-feira, 4 de outubro de 2011

novas individuais _cosmos , folhas soltas e bosque do tempo



ana galvão COSMOS






fernanda pissarroFOLHAS SOLTAS

pintura e gravura





Racionalidade e emoção na obra de Pissarro
 
O meu relacionamento com Pissarro no âmbito das artes visuais e das suas implicações no ensino vem de há longos anos
Dá-se agora a oportunidade de tornar pública a minha homenagem à sua actividade no campo da pintura e da gravura.
Sempre admirei na Artista a sua tenacidade, a sua forte vontade de dizer, de fazer, de se afirmar; a sua têmpera trasmontana de antes quebrar que torcer, na sua aparente fragilidade feminina, são estes os pilares da sua obra.
As cores, os espaços, as formas, as texturas aí estão; formam um todo coerente, tanto na pintura, como na gravura, sendo evidente uma sólida estrutura, um saber do ofício, e uma procura constante, mas para lá de tudo isto, há a emoção, a poética, que só a intuição atinge. É aí que reside fundamentalmente a força que transporta Fernanda Pissarro para outra esfera: a esfera do sonho expresso no poema de Pessoa.
 
"O meu destino tem um sentido e tem um jeito,
A minha vida segue uma rota e uma escala,
Mas o consciente de mim é o esboço imperfeito
Daquilo que faço e que sou; não me iguala."
Luís Gonçalves
Pataias, Agosto de 2011

PISSARRO licenciada em Pintura pela ESBAL. Exerceu a função de docente do Ensino Secundário até 2002/03. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian nos anos lectivos 1968/69, 1969/70 e 1970/71. Investiga e lecciona gravura nos ateliers da Cooperativa Diferença da qual é sócia fundadora.


Exposições Individuais
2009/2010 – Galeria Prova de Artista, Lisboa; 2008 – “Pequenas Coisas” com Rita Gamboa, Galeria Diferença, Lisboa; 2005 - Galeria Moura Cosme, Lisboa; 2004 - Galeria Diferença, Lisboa; 2002 - Grupo Desportivo Banco de Portugal, Lisboa; 2001 - Galeria Artur Bual, Câmara Municipal da Amadora; 2000 - Embaixada de Portugal, Bruxelas; 1999 – Pothoff: Galeria de Arte, Lisboa; 1997 - Galeria da Livraria Ferin, Lisboa; 1995 - Museu de Aveiro; 1994, - Galeria de Arte Óptica do Conde Redondo, Lisboa; Teoartis Galeria, Évora; 1993 - Galeria Municipal de Torres Vedras; 1991 - Galeria Albatroz, Cascais; 1988 - Galeria Tempo, Lisboa; 1986 - Club Edifício Aviz, Porto; Galeria Albatroz, Cascais; 1985 - Galeria de Arte do Casino Estoril; 1983 - Galeria “Camillo-Eça”, Lisboa; 1977- Galeria Grafil (actual Galeria Diferença), Lisboa.

Exposições Colectivas
Inúmeras participações em Portugal e no estrangeiro

Prémios
2000 - Prémio “Amadora 20 Anos” na VII Bienal – 1ª Internacional de
Gravura da Amadora 2000; 1985 - Prémio Tema Livre no VI Salão de Outono da Galeria de Arte do Casino Estoril; 1972 - Prémio de Aquisição na Primeira Exposição de Jovens Artistas; 2° Prémio do Salão e Medalha de Prata no XVII Salão da Primavera da Junta de Turismo da Costa do Sol

Representações
Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian; Embaixada Portuguesa em Brasília; Museu Municipal de Lourenço Marques; Junta de Turismo da Costa do Estoril; Museu de Arte e Pintura Diogo Gonçalves – Portimão; Câmara Municipal de Torres Vedras; Câmara Municipal da Amadora; Supremo Tribunal de Justiça; Via Sacra da Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Lisboa; Colecções particulares em Portugal e no estrangeiro.

Edições
1998 e 2003 Edições de Gravura para o “Centro de Serigrafia” - Galeria de S. Bento - Lisboa.

Participações2010 e 2011 – Organização e participação – 37ª e 39ª “ Encruzilhadas da Arte”
[1] – “Gravura” (com Workshop) e “Pintura” respectivamente
[1] “ Encruzilhadas da Arte” – Tertúlias culturais em torno da intersecção das artes, da responsabilidade da Dr. Maria Teresa Dias Furtado.



margarida lourençoBOSQUE DO TEMPO


gravura



SOMBRAS


«Quando me iniciei na gravura fiquei fascinada com a magia do processo de criação de imagens, e ainda hoje sinto a emoção do levantar do papel que acabou de ser impresso».
Margarida Lourenço, 2006.



Passando ontem pelo jardim das Amoreiras voltei a ver aquele arbusto solitário duma ligeireza invulgar e a sua sombra muito frágil projetada no pé do muro do aqueduto... Fiquei ali sentado a folhear longamente o livro das gravuras, no meio de velhos troncos e ramagens, havia também uma cerejeira em flor logo atrás duma vaga paliçada, deixando ver mesmo assim vários ramos e folhas secas de Gingko bilobas e outras, dispostas graciosamente pelo meio do branco texturado das páginas.

E mais além até aquela sombra dum portão enferrujado se estendia preguiçosamente no empedrado vazio dum hotel improvável, parecendo sugerir-nos como uma possível junção entre o "bosque" e o "tempo" ou, em todo caso, entre estes, como alguma forma de conivência. Atrás do pôr do sol iam-se já escondendo muitas outras sombras à minha volta. Demorei por lá até ao lusco-fusco, entre "presenças" e "ausências", no meio das luzes e dos silêncios, a saborear a intemporalidade e a magia do caderno.

·
Nos seus "bosques do tempo", Margarida Lourenço, com uma linguagem apurada e empregando diversas técnicas de gravura, exprime claramente uma vontade firme de se aproximar dos infinitos segredos duma natureza que não cessa de a deslumbrar.

Das suas primeiras "gravuras da pedra" de Foz Côa até às obras mais recentes, por um percurso através duma "natureza viva", a artista, cultiva uma forma de "gravura evolutiva", com paisagens e motivos declinados em colagens, xilogravura,
gravura a seco, cobre, zinco, foto polímeros, serigrafia, litografia...E dá-nos aqui estas "aparições" diáfanas, estes traços gravados de plantas e outros elementos naturais, que combina em grafismos sofisticados num universo que de algum modo nos faz lembrar os ambientes de certas estampas japonesas.

Jörge de Sousa Noronha
Paris, Agosto 2011

____________________


MARGARIDA LOURENÇO

Licenciada em Ciências Matemáticas, Faculdade de Ciências, Coimbra.

Formação Artística: Pintura, Desenho, H. de Arte, Intervenção Plástica na SNBA, Arte Moderna e Contemporânea no CCB, Lisboa Gravura com Paiva Raposo, Cascais, na AGAF e FBAUL, Lisboa; nos EPM, Edimburgo, UK. Integra a Associação de Gravura Água-Forte (AGAF).

Exposições mais recentes: 2011 IV Bienal Iberoamericana de Obra Gráfica, Cáceres, Espanha 2010 Hong Kong Graphic Art Fiesta, China; Artes do Japão e Portugal, Museu do Oriente, Lisboa; 5ª Bienal Internacional de Gravura do Douro 2009 Encontros com o Oriente – Água-Forte/Fukushima, Museu do Oriente, Lisboa; Bosque do Tempo – exposição individual, Fórum Cultural do Seixal

Obras em Colecções: Musée du Petit Format, Bélgica Kanagawa Prefectural Gallery, Japão Accademia d’Arte di Pisa, Itália Florean Museum, Roménia Centro Cultural Brasil – Estados Unidos, S. Vicente, Brasil Museum of Tetovo Area, Macedonia Ordem dos Advogados de Setúbal, Portugal Maison Familiale d’Henri Matisse à Bohain, França Cabinet d’Estampes de la 7e Triennale de Chamalières, França Hong Kong Open Printshop, China Colecções particulares

mmargaridalourenco@sapo.pt



Paula Cabral - Art Gallery / Café dos Artistas


Rua do Século, 171 1200 - 434 Lisboa


(Junto à Praça de Taxis do Jardim do Príncipe Real)


Tel./Fax: 21 3426014


Móvel: 91 236 6519


www.paulacabral-artgallery.com


HORÁRIO: Terça a Sábado das 15h00 às 21h00

quarta-feira, 9 de março de 2011

Teresa Roza d'Oliveira com "HISTÓRIAS DA MINHA NETA" na Galeria Paula Cabral

Inauguração dia 10 de Março, pelas 19 horas
na sala B da Galeria Paula Cabral/Café dos Artistas
Estão todos convidados!


As obras de Teresa Roza d’Oliveira dão continuidade a um imaginário povoado por bichos e figuras humanas. Também um certo lado violento se abatia sobre algumas obras retomando-se aí uma mitologia com proximidade às raízes africanas esbatida por bichos homens sob o signo do fogo e do sexo. Mesmo assim essa pintura era fortemente lírica e terna, as figuras humanas com o seu quê de andróginas, espraiavam-se e misturavam-se no espaço circundante…A pomba é uma presença essencial, simbolicamente associada à paz, à candura, mensageira de propósitos vários, ela pode também servir uma carga enigmática que esta pintura oferece – o de permanecer autêntica e vinculada a um imaginário com raízes muito específicas e personalizadas.
Cristina Azevedo Tavares (1991)

…A pintora Teresa Roza d’Oliveira envolve-nos num mundo de sonhos, fantasias e mitos levando-nos para o mundo simbólico que revela mas, simultaneamente, encobre a natureza humana… Assim sonho e realidade entrelaçam-se numa relação infinita de cores e numa valsa de afectos.
Maria Fernanda Gonçalves Alexandre (2006)

Ainda que muito originais, estas imagens remetem-nos para sabidas histórias, contos, filmes, livros ou rábulas mas com a narrativa reinventada ao sabor da tua imaginação e da irreverência pela qual pautas a tua linguagem pictórica.
Há a verdade dos sonhos, as evocações de infância, os sinais do tempo a marcar as cores e os espaços, tudo caldeado pela emoção e pelo incontornável sentido critico que brota da fluência para ser, com toda a liberdade, mais uma vertente destes registos.
Sinto-os como essências que se revelam por partes, como se guardassem em si mesmas outros e diferentes aromas.
Valores plásticos, amadurecimento estético, segurança na expressão e uma espécie de sensualidade poética são dados que pesam na qualidade deste trabalho a todos os títulos interessante e actual. Gostei muito
Edgardo Xavier (2010)
Critico de Artes Plásticas
A.I.C.A

















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Paula Cabral - Art Gallery / Café dos Artistas
Rua do Século, 171
1200 - 434 Lisboa
Tel./Fax: 21 3426014Móvel: 91 236 6519
www.paulacabral-artgallery.com (em construção)
(Junto à Praça de Taxis do Jardim do Príncipe Real)
HORÁRIO: Terça a Sábado das 12h00 às 20h00

sexta-feira, 4 de março de 2011

KUN IAM

KUN IAM
cumpre um ciclo lunar e é hoje uma imagem icónica de Macau


No próximo Dia 21 de Março, no início da Primavera, faz exactamente doze anos que o Centro Ecuménico Kun Iam foi inaugurado pelo Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio e pelo Governador de Macau, General Rocha Vieira.

Este Centro levou três anos a ser projectado e construído nas águas do Rio das Pérolas e representa a última obra pública, arquitectónica, escultórica e cultural realizada em solo Chinês com o alto patrocínio e empenhamento directo do Governo de Macau e da Unesco.
Cristina Rocha Leiria concebeu este projecto a partir da Deusa Kun Yam – Divindade que consubstancia o amor, a misericórdia e a compaixão – reforçando a sua mensagem ecuménica de solidariedade e de aproximação entre as pessoas.
O impacto da escultura da Deusa, com 20 metros de altura, fundida em 50 toneladas de bronze, erigida sobre uma cúpula de betão simbolizando a Flor de Lótus, o Centro Ecuménico, pode ver-se a vários quilómetros de distância da terra e do mar. Para a sua edificação foi necessário um trabalho de assoreamento, em frente aos novos aterros do Porto Exterior de Macau, em plena Foz do Rio das Pérolas, na construção de uma ilha artificial ligada a terra por um istmo com 65 metros.
O Centro Ecuménico visa perpetuar o respeito mútuo e a amizade entre todos os povos e civilizações, sendo como a sua autora, Cristina Leiria, o idealizou, um espelho de tolerância religiosa e do pluralismo cultural, características multisseculares de Macau.
Para assinalar este aniversário tão celebrado no Calendário Chinês, porque cumpre um ciclo de vida de 12 anos, a Arquitecta e Escultora Cristina Leiria vai realizar a partir de 21 de Março, até 30 de Abril uma mostra na Galeria Paula Cabral /Café dos Artistas sobre a construção desta obra, suportada com um ciclo de conferências e projecções, visando todos os aspectos que envolveram a construção da obra, desde a concepção criativa, o projecto arquitectónico, a criação da Ilha artificial, a obra de engenharia e fundição da estátua gigante, a logística, passando por questões mais sensíveis de envolvência ecuménica e filosofias do pensamento.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A GALERIA / AS EXPOSIÇÕES


3 de Fevereiro de 2011

19:00

A Galeria Paula Cabral/Café dos Artistas

abriu uma vez mais as sua portas com uma mostra de três artistas



João de Azevedo - pintura

João Donato - cerâmica

Pedro Soares - fotografia
A mostra termina a 7 de Março de 2011


na montra-instalação de Helena Lousinha
O SOM DO CROCODILO
pintura
de
JOÃO AZEVEDO





LISBOA REVISITADA
fotografia
de
PEDRO SOARES





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Paula Cabral - Art Gallery/ Café dos Artistas
Rua do Século, 169-171
ao Príncipe Real
tel./fax: 21 342 60 14
móvel 91 236 65 19

domingo, 23 de janeiro de 2011

João de Azevedo,(João Donato) e Pedro Soares / pintura,cerâmica e fotografia

A Galeria Paula Cabral/Café dos Artistas

inaugura dia 3 de Fevereiro pelas 19:00

3 Exposições individuais de Timor a Lisboa, passando por Londres,

com os trabalhos dos seguintes Artistas Plásticos:



“O SOM DOS CROCODILOS”

Pintura de JOÃO DE AZEVEDO



“VISTA PARCIAL DA VIA LÁCTEA E OUTROS FRAGMENTOS”

Cerâmica e Instalação de JOÃO DONATO

(ESTA MOSTRA DE MOMENTO ESTÁ SUSPENSA

POR MOTIVOS ALHEIOS À NOSSA VONTADE)



“LISBOA REVISITADA"

Fotografia de PEDRO SOARES




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as obras e os percursos



JOÃO DE AZEVEDO EM TIMOR-LESTE


ALGUMA APRESENTAÇÃO DOS CROCODILOS


+DILI 38



Dili, Março 2006
1. Estive em Timor-Leste dois anos, desde Fevereiro 2005. Estas pinturas são feitas com tintas acrílicas, sobre papel Fabriano de algodão 600- 850 gr. A maior parte tem medidas aprox. 59 X 76 cm; os outros, em geral, metade.
2.


Este é o meu cartão de visita mais antigo, de 1975. Nasci em 1950 e tinha então 25 anos, quando deixei de pintar. Deixei de o fazer quando fui de Itália para Portugal, onde passei a fazer outras coisas. Isso passava-se numa altura em que era fácil acreditar na revolução; esta capa de disco é a prova disso, feita a convite do Zeca.
3. Porém, em Itália fui pintor activo, entre 72 e 75; fiz duas exposições individuais e participei em várias colectivas (em Itália e fora dela). Parei de pintar porque me parecia desajustado, pessoalmente, fazer coisas para as pessoas com dinheiro comprarem. Tive uma espécie de vergonha, hesitação maior, pouca autoconfiança. Queria mudar de vida, mas não sabia bem para qual vida mudar. Ia com as coisas, mas sempre acompanhado pelos pincéis, que ficavam numa caixa fechada.
4. Desde então, tenho andado a fazer outras coisas; principalmente tenho andado a participar, desde 1977, em actividades do (mau) desenvolvimento. Entre elas: 9 anos nas nações unidas, agora consultor independente, em África e Ásia, desde 2001.
5. Com o mais recente regresso às pinturas, trata-se de fazer trabalho manual, em primeiro lugar. E fazer trabalhar as duas partes do cérebro, como alguns dizem. Passar por cima do determinismo que nos empurra para manifestarmos apenas uma pequena parte dos nossos talentos, usar apenas uma parte do nosso corpo, a escolher ou a cabeça ou as mãos, ou outra parte qualquer. Afinal já penso que pintar dá muito gozo; que o trabalho manual já vale outra vez, que é mesmo necessário. Penso que para o futuro é preciso fazer um trabalho mais integrado, mais holístico. O pouco que sabemos sobre nós próprios aponta para essa necessidade: reintegrar as nossas forças, os nossos lados emocionais, os nossos lados espirituais, o nosso interesse pelo ambiente. É hoje difícil para mim imaginar que alguém se possa desenvolver sem nada acrescentar à qualidade da vida dos outros. Este é o tipo de coisa para a qual é difícil imaginar como falar delas (cito, indirectamente, Boyatzis).
6. Timor e as minhas citações dos crocodilos. Mais ainda, cito, e paro aqui de citar, mas indirectamente, José Gil, citando Levy Strauss, porque de facto as sociedades primitivas não tinham os homens no centro do universo. A natureza e os outros seres vivos foram desvalorizados, “arrancando-lhes o homem para o colocar num lugar de eleição”. Esse desprezo do ambiente virá daí. Visto de Timor, e desta parte do mundo, isto ganhou-me para o lado dos crocodilos. Estes animais são aqui da máxima ambiguidade significante e de alta densidade histórica. As legendas (isto é, a história como é dita e acreditada pelas pessoas normais) são povoadas pelos crocodilos. Apesar de tentativas de normalização, eles continuam presentes no imaginário como parceiros dos sonhos e da vida real. Tomam várias cores, nessas narrativas, segundo as zonas, as ocasiões, as intenções, as testemunhas. As mulheres de certos povos mauberes não são mulheres senão à vista, porque mal voltas as costas, são crocodilos. Um rei de um outro povo deu a filha mais velha ao crocodilo, para ganhar a guerra. Outro rei, de outro povo ainda, fez um acordo com os crocodilos para deixar passar os seus soldados, afim de surpreender o inimigo invasor pela retaguarda. Os crocodilos não te atacam se estás tranquilo, se tens a “consciência em paz”. Antes de os indonésios desembarcarem, em 1975, tal coisa foi largamente anunciada por muitos crocodilos que apareceram na baía de Dili. Uma conhecida lenda conta que a ilha de Timor tem a forma de um crocodilo, depois de velho e morto e de ter sido companheiro de um rapaz, que lhe foi muito amigo (citação da pintura nº17). Há sempre uma narrativa segunda a qual “na semana passada” os crocodilos vieram e levaram 4, 5 ou 6 pessoas. Esses animais são a parte escondida e mágica do espírito. Têm do bom e têm do mau. Eu cito essas histórias, não para as ilustrar, mas porque procuro essa percepção, essa humanidade nesses animais.
7. Acrescento que o crocodilo aqui, como entre os aborígenes australianos (os últimos aristocratas, segundo Levy Strauss), e que eu visitei há alguns meses, é um animal sagrado (lulik), sendo considerado pelos timorenses como antepassado. Daí o nome de avô, bei-nai. É o senhor das águas, o we-nai. Segundo o mito de origem, é considerado o responsável pelo povoamento de Timor.
8. Esses animais existem e comem, de facto, pessoas, quando podem. Toda a região está infestada. Na costa norte da Austrália é absolutamente proibido tomar banho nas praias, de Novembro a Abril. Eles pululam na baía de Darwin, por exemplo. São os saltwater crocodiles (Crocodylus porosus), que atingem facilmente 4 metros (às vezes mais) de comprimento, são ultrarápidos no ataque e vivem entre a água doce e a salgada. Existem desde há talvez 200 milhões de anos, são dos mais velhos sobreviventes, são hoje espécies protegidas.
9. No meu caso e com eles, voltando aos pincéis depois de tantos anos, jogo com as cores, para espantar e seduzir os parceiros. Crocodilos homens e mulheres, e vice-versa, homens e mulheres crocodilos. Acasalamentos, pesadelos, combates; não ilustro nada, são citações de ocasiões que poderiam ter acontecido. Vou tendo algum feed back. Assim, uns velhos exclamam: “Até parece que o senhor joão estava lá!”.
10. O meu endereço, em Portugal, é: joao.de.azevedo@mail.telepac.pt





+DILI 20


Novas peregrinações

A globalização trouxe outros mundos ao mundo, desde sempre. Aumentando-o, gizando-o em novas direcções, abrindo novos planos, também e sobretudo imaginários, que antes lá não havia. E de cada vez a seu modo assim se fez e faz e tornará a fazer até que o tempo coincida absolutamente com o espaço.
Agora, que a globalização já não se faz com naus nem caravelas, mas com computadores e bolsas on-line capazes de alimentar a cobiça (madre-eterna) daqueles mais ansiosos do vão poder do mundo, e com as notícias em directo da TV, a outra peregrinação global, a do espírito, essa faz-se também ela de outro modo: onde antes, meio milênio atrás, o Fernão Mendes Pinto de gloriosa memória elocubrava as aventuras de uma descoberta maravilhada desse cruzamento incerto entre mito e história, hoje outros entendem, desentendem, sobre-entendem, numa epifania breve, as janelas que se abrem de repente sobre os planos mais incertos e caóticos do tempo, e o desdobram, mostrando-o em outras dobras, em outras convulsões, em outras configurações.
Assim João de Azevedo.
Longamente hipotecado a uma paixão aventureira que o levou aos trópicos, de Moçambique ao Niger e a Timor passando por tantos outros lugares, João trouxe, porque levava para tanto a intuição, notícia de outros mundos haver, para além da racionalidade estreita deste nosso em perpétuas crises, outros lugares onde o trágico coabita com o vulgar e o ordinário, paredes meias com o sonho, fazendo e desfazendo entre este e a chamada realidade. Uma realidade menos óbvia do que a nossa, já se vê. Onde os animais ainda e sempre falam.
E se nessas aventuras chegou a colaborar de perto, apaixonadamente, com o renascimento de nações, ou captar o essencial desse registo gráfico, quase diagramático, de uma visão outra do mundo, que depois igualmente sabe traduzir em longas e sábias conversas noite fora, em que descreve os mitos como se os houvera assistido desde o seu nascimento, é nos seus quadro de longa e paciente factura que mais os elabora, re-elabora, tornando-os pouco a pouco seus e nossos, através do seu sábio e sempre inocente olhar.
Já se vê que o crocodilo é um poderoso símbolo erótico. E que, como a todo símbolo, o melhor é não o afectar a uma única coisa, já que de muitas fala, e ao mesmo tempo. E já se vê que ele caminha veloz nestas pinturas, onde também a cor transporta a alegria das descobertas mais vastas do espaço e do tempo. Mas, humaníssimo, e não só por ser portador desses impulsos vitais, também ele o temível crocodilo é retrato e auto-retrato, mágico instrumento de uma soberana re-interpretação do mundo, deste e do outro, mensageiro subtil que se desloca entre os dois.
Os crocodilos de João de Azevedo, as suas ninfas, as suas cores quase puras, são outros tantos sinais cantantes de haver sempre mais mundos e contadores de histórias desses mundos, hoje como antes, há muito tempo atrás na peregrinação do outro. Porque perpétuo é o homem no seu sonho como na sua imperfeição.
São artes destas que tornam o mundo maior. E que no-lo trazem, paradoxalmente, até junto à porta.
Obrigado João.

Bernardo Pinto de Almeida
Janeiro 2011


+DILI 14



João Croco

Esta manhã encontrei umas cartas, religiosamente bem guardadas, do meu amigo João de Azevedo. Tinham sido enviadas de Roma, onde vivia nos anos 70. E, ao lê-las, senti-me, se não culpado, pelo menos irritado comigo mesmo. É que, no alegre caos em que nos deixávamos perder, não fui capaz de ver o seu desejo mais pungente. E, no entanto, quantas vezes nestas cartas não era exactamente essa a questão! Pintar, desenhar, era o que o fazia feliz. Mas nunca afirma poder dedicar-se exclusivamente a isso. Os ideais políticos da nossa juventude não o permitiam. No entanto o caminho estava aberto: galeristas e coleccionadores interessavam-se pelo seu trabalho, interesse que o João só tinha então em conta do ponto de vista da subsistência.

Exaspera-me tentar hoje conquistar tudo o que foi então adiado. Na verdade o conflito começa na adolescência. João quer entrar na faculdade de Belas-Artes de Lisboa contra a vontade do pai que prefere vê-lo a estudar engenharia naval. Não seguirá nenhum dos caminhos. Depois de um ano na Faculdade de Direito, foge aos dezoito anos da ditadura salazarista, pedindo asilo político na Bélgica onde começa uma nova história. A sua existência torna-se rica, generosa e inventiva. E chega agora a hora de, sem reservas, desfrutar dos pincéis desfrutando do seu talento em plenitude.

Foi ele mesmo quem compreendeu que essa hora chegara, e fico contente por isso. A reviravolta deu-se em Timor, onde passou dois anos de 2005 a 2007. Nesta ilha de forma estranhamente parecida com a de um crocodilo, apaixonou-se pelas lendas locais e pela relação intensa que os Timorenses mantêm com a figura do crocodilo. Resultou daí uma série de pinturas de cores explosivas onde o homem e o sáurio se cruzam como se fossem um centauro invertido.

Assim como em Picasso com o encontro do homem com o touro – pensando em particular nos quadros que dizem respeito ao Minotauro – o encontro do homem com o crocodilo de João de Azevedo tem uma natureza fortemente erótica. Inquietante, também: haverá figura mais evocativa da castração que o crocodilo? Perguntem ao capitão Hook que pensa ele disto.
Mas para os falantes a castração está no coração da economia do desejo. No seu seminário “A relação do objecto”, Jacques Lacan evoca o crocodilo para ilustrar a alegria maternal devoradora, e do falo faz um bastão que se posiciona entre os dois maxilares não deixando que se fechem. Não sei o que os timorenses pensariam desta analogia!

Em Moçambique onde o João trabalhou onze anos, um pintor conhecido tem o nome de Malangatana Ngwenya, que significa Malangatana Crocodilo. Em Timor, ele torna-se João Crocodilo!
Yves Depelsenaire, psicanalista da École de la Cause Freudienne (ECF), crítico de arte e autor de “Le Musée Imaginaire Lacanien”, (Lettre Volée, Bruxelas, 2009




O crocodilo que se fez ilha

Nunca tinha chovido tanto e de uma só vez naquelas paragens. As águas subiram, inundaram a terra, aproximaram-se dos céus onde deixaram sementes de Caleic, germinando trepadeiras, amarrando o mar e a terra ao infinito. Foi o tempo em que tudo estava ligado, o universo em gestação. Os seres misturavam-se e percorriam lugares outrora restritos apenas a alguns. A água fizera o que os homens alguma vez ousaram, diluindo as fronteiras terrestres. Ninguém estava classificado consoante os locais onde habitava ou de acordo com os seres que digeria.No fim da estação das chuvas, quando as águas começaram a secar, todos os animais, movidos pelo instinto de sobrevivência foram recuando para os seus anteriores nichos. Os pequenos crocodilos, buliçosos e irrequietos, sentindo que o mar se encurtava cada vez mais, foram deixando os locais por onde tinham andado em busca de alimentação.Mas aquele velho crocodilo, que nunca tinha feito incursões para além das águas paradas, onde esperava os incautos que passavam, mostrava-se renitente em abandonar aquele recanto da terra onde passavam todos os animais da terra inclusivé o homem, o mais erecto de todos e nem sempre o mais correcto. A prole bem tentou demovê-lo dessa teimosia. Ele já não queria mais regressar para o seu mar. Por mais que insistissem, dizendo que em breve, com a seca, morreria de calor e com fome, tencionava ficar. Dizia ser a natureza o seu melhor aliado, que com ele sempre fora benevolente. Mais do que os da sua espécie que se devoram a si mesmos. Com tal argumento convenceu-os a irem-se embora. O clã entendeu a sua atitude como sendo sinal da sua resignação ao fim próximo. Há um momento único no tempo de cada um para decidir a forma mais digna de morrer. Um grande sáurio arrasta-se no chão mas nunca no tempo. Os pequenos choraram lágrimas de crocodilo pelo fim do progenitor. Como não estava mais nenhum animal presente, eram genuínas as lágrimas choradas. Arrastaram-se para o mar e o velho crocodilo foi ficando cada vez mais distante e abandonado. O acaso fez com que tivesse passado por ali uma menina em busca dos pais, provavelmente engolidos pelo mar. E vendo o velho crocodilo desfeito em lágrimas, e sem distinguir o falso do verdadeiro, aproximou-se do moribundo e perguntou-lhe se precisava de ajuda:_Leva-me até ao mar. Prometo entregar-te aos teus pais!Ela já não pensou em outra coisa se não pô-lo a salvo._A vida de quem quer que seja deveria ser tido em conta para além dos seu múltiplos actos, nefastos ou providenciais! - pensou. Um pensamento grande de mais para as suas pequenas forças. Havia uma desproporção entre o que podiam os seus braços e o peso do colosso moribundo. Os olhos do crocodilo já não choravam. A menina foi buscar as cordas da trepadeira e enrolou-as ao longo do corpo daquele que personificava o horror sobrenatural. Tentou puxar a ponta da corda mas nem um passo deu adiante. Foi pedir ajuda aos outros animais, mas foi o macaco quem se apressou a responder:_Que morra aquele que tanto mal nos fez!Assustou-se com a violenta resposta, mas não desistiu de procurar ajuda. Lembrou-se daquele búfalo branco, que tinha domesticado para a ajudar no cultivo do arroz. Quando chegaram ao local, o búfalo franziu os olhos, levantou as sobrancelhas, deu uma cornada no ar soltando espuma branca pelos cantos da boca:_Não, tudo menos isso! Foi ele quem devorou os teus pais!Ela nem vacilou perante tal revelação. Tentou um último argumento, o da morte digna, dizendo que o crocodilo estava velho e cada um deveria morrer no sítio onde vivia. O búfalo condescendeu e só deu pelo engano quando o moribundo, dentro de água, pareceu rejuvenescer. Sentindo-se traído, o búfalo fez o que achava justo: foi-se embora. Voltou a ser bravo, a única condição que lhe garantia respeito e sobrevivência. O crocodilo, vendo o desfecho de uma amizade desfeita, quis recompensar a sua salvadora pela perda de um amigo, dizendo ser ele verdadeiro; não era tão traiçoeiro como a fama das suas lágrimas._Pula para o meu dorso! - disse o crocodilo, com voz paternal. Anoitecera. E, já sem a vigilância de olhos de outros animais e a coberto da distância e da escuridão da noite, que devolvia a cada ser o pior dos seus instintos, ele tencionava comer aquela criança, salgada e temperada pelos ares do mar. Está na natureza do crocodilo comer as suas presas. A menina caíra na armadilha das lágrimas do moribundo, esquecendo-se de que também eram de um crocodilo.Mas as forças do velho sáurio foram-se esgotando na jornada. Não conseguia mover a cauda, nem mesmo uma pata. O corpo que tão bem o tinha servido, na hora em que mais precisava dele, traía-o. Encalhou, no seu trágico destino. Rendido à evidência da morte, quis a grandiosidade. As suas patas alongaram-se e cravaram bem fundo nos corais. O corpo distendeu-se e as placas do dorso ganharam elevação, formando montanhas atapetadas de densas florestas de sândalo. Uma voz surgiu do ainda crocodilo quase terra:_Sou velho e vou morrer. Tu és linda e habitarás este corpo onde foram enterrados os teus pais. Brevemente chegarão os estrangeiros. Uns príncipes em busca da tua beleza, e outros, mercadores do sândalo.Quando ouviu o último suspiro do crocodilo, ela respirou fundo como se quisesse dar à luz, e viu o Sol nascer no mar, iluminando a ilha inteira, finalmente livre do pesadelo da noite traiçoeira. E chamou-lhe Timor.

do original de Luís Cardoso, publicado no suplemento da Revista Visão nº480 de 16.05.02; versão adaptada

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CV João de Azevedo

Nome: DE AZEVEDO, João Manuel Silva Mendonça
Data e lugar de nascimento: 2 Fevereiro 1950, Figueira da Foz, Portugal



- Iniciei a expor na Figueira da Foz, em 1964 – 1965, no Casino e numa Galeria local.

- Fui seleccionado no âmbito do concurso Prémios Estímulo, da Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa (presente na exposição relativa da SNBA, Outubro 1965.

- Fui colaborador do suplemento Juvenil do Diário de Lisboa. Ganhei, então, dois prémios do concurso Fósforo Ferrero (poesia, e artes plásticas, em Maio 1967). Fui fundador do suplemento Juvenil “Onda”, do Jornal semanário Mar Alto, da Figueira da Foz, e colaborei regularmente, nesses anos, essencialmente com poesia, em suplementos juvenis e literários nacionais e em antologias de estudantes (associações, etc).

- Frequentei o 1º ano da Faculdade de Direito de Lisboa (1967-68) e parti para Bruxelas em Setembro de 1968, onde estudei (1968-1972) no então Institut National des Arts et du Spectacle (Teatro e Comunicação)

- Em seguida, residi em Roma, Itália, até 1975, onde exerci permanentemente a actividade de pintor. Em Itália participei em várias exposições colectivas e realizei duas exposições individuais.

- Destas últimas destaco (porque possuo documentação suficiente) a exposição realizada no Centro Culturale per l’Informazione Visiva (Fevereiro–Março 1975), apresentado por Sandra Giannatasio.

- Dário Micacchi, crítico entre os mais respeitados na época, escrevia no quotidiano L’Unitá, a propósito dessa exposição
[1]:

“ Il portoghese João de Azevedo è nato nel 1950 a Figueira da Foz, e vive da alcuni anni in Itália dove há trovato, in relazione alla sinistra artística italiana, quelle condizioni per cercare ed esprimersi che in terra sua gli erano negate, come a tanti altri giovani latino-americani, spagnoli, greci, turchi, nord-mericani anche.
Ora che così straordinari rivolgimenti sono avviati in Portogallo, questo giovane dimostra di avere fatto la sua parte, almeno per quel che un pittore può. Non conosco la situazione attuale dell’arte portoghese per illustrare nel modo giusto la sua ricerca. La sua cultura sembra complessa, fatta di caratteri nazionali fusi con certi caratteri del fantastico profondo di un Klee, del brutalismo di un Dubuffet, della violenza del momento dada di Dix e Grosz; ma questi caratteri colti si direbbero riportati al dolore e all’animismo delle maschere nere angolane o della pittura del volto e del corpo.
Due motivi figurati in tempere e in pitture con intaglio su tavola: l’uomo strozzato dalla garrotta, una figura alata, tra demonio e angelo, che viene in primo piano da profondità abissali. La tecnica combina colore, incisione del legno, acidatura a mordere, e rende assai bene la sofferenza e la violenza sia dell’uomo torturato sia della nascita di un possibile angelo, uomo alato, dall’orrendo e dal demoniaco. La crudele deformazione dell’anatomia è straziante ma sembra che la bestialità generi il suo contrario. Indementicabile il demonio-angelo nei cui occhi nascono due pupille a falce e martello”.

- De regresso a Portugal no verão de 1975 participei, até Outubro de 1976, como animador cultural em apoio às lutas de camponeses sem terra e em apoio a embriões de cooperativas agrícolas.

- Nesse verão realizei também a capa para o disco “Com as minhas Tamanquinhas” de José Afonso:


- Ainda em Portugal, entre Outubro de 1976 e Fevereiro de 1977, realizei a cenografia e figurinos do espectáculo “Treino do campeão antes da corrida”, no Teatro da Cornucópia, com encenação de José Osório Mateus.

- Parti para Moçambique em Fevereiro de 1977, para trabalhar como assistente da Universidade Eduardo Mondlane (1977-1981), ali exercendo o cargo de director-adjunto do Centro de Estudos de Comunicação. Ainda em Moçambique, para o Ministério da Agricultura, trabalhei num projecto de desenvolvimento cooperativo (1981 – 1984) e com responsabilidades pedagógicas num centro de Formação Agrária e de Desenvolvimento Rural (1984-1988).

- Regressei a Itália em 1988, onde permaneci até 1992, como consultor da Liga Nacional das Cooperativas e Mutualidades italiana (LNCM), assim como da FAO, FIDA e outras instituições internacionais. Com essas instituições internacionais trabalhei em múltiplos países africanos e na Palestina.

- Nomeadamente, entre 1992 e 1999, fui Chefe de um projecto da OIT (Organização Internacional do Trabalho), no Níger, centrado sobre a participação das empresas cooperativas na segurança alimentar e no desenvolvimento local, e conselheiro do Coordenador do Programa Nacional de Luta contra a Pobreza desse país, entre 1999 e 2001, para o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

- Regressei a Portugal em 2001, trabalhando até hoje como consultor internacional, nomeadamente para a Comissão Europeia e principalmente como perito de avaliação.

- Exerci, também, em Portugal, entre 2002 e 2005, responsabilidades de acompanhamento e avaliação num projecto de desenvolvimento social, no quadro do programa europeu EQUAL, em favor dos cidadãos/cidadãs mais excluídos e desfavorecidos, em Setúbal e Palmela.

- Residi, mais recentemente, dois anos em Timor-leste (Fevereiro 2005 – Dezembro 2006), por motivos familiares.

- Recomecei a pintar em 2004, tendo episodicamente produzido 7 quadros para o restaurante Sulitânia, no Vimieiro.

- Mas foi em Timor-Leste que trabalhei mais intensivamente. De facto, em 2005-2006, excluindo duas missões em Angola e duas em Cabo Verde, concentrei-me decisivamente na pintura, tendo produzido cerca de 50 peças
[2].


[1] L’Unità, edição de 4 de Março 1975, pág. 9.
[2] Sobre a minha motivação para este “regresso” à pintura, ver o anexo “Alguma apresentação, dos crocos e minha”.









JOÃO DONATO



"Vista parcial da Via Láctea e outros Fragmentos"

Cerâmica e Instalação

*esta mostra está de momento suspensa por motivos imprevistos











A ARCA






torso stonewasre







prato terracota







carapau (o companheiro de luta)





prato stoneware




pássaros



JOÃO DONATO
Nasci em Maputo em 1953.
Depois da independência de Nacional trabalhei cerca de 10 anos no Norte do País, sobretudo em Nampula e Cabo Delgado, ligado ao desenvolvimento rural.
Trabalhei mais de 15 anos com diversas instituições Moçambicanas, ligado às àreas de pesquisa social e de mercado.
Sem qualquer treino formal prévio, inicio-me nas artes cerâmicas em 2002 no Brasil, com a mestre ceramista Cecy Sato.
Em 2005 vou para Londres onde estudo no City & Islington College sob a tutela da prestigiada ceramista Daphne Carnegy.
Actualmente vivo em Londres e trabalho como técnico no Departamento de Cerâmica do City and Islington College.

Exposições

Café com Letras – Brazilia, 2003
City and Islington College – Londres, colectiva dos estudantes de cerâmica, 2006, 2007, 2008
Embaixada do Brazil, Londres – exposição comemorativa do 10º aniversário da CPLP, 2006
Art @ 42 Gallery, Notting Hill Gate, Londres, 2007 (individual)
The Gallery, Stoke Newington, London –Islington Art Society Autumn Exhibition, 2007; Spring and Autumn Exhibitions, 2008, Autumn Exhibition 2010
Galeria do Instituto Camões – CCP, Maputo Mozambique, Dezembro 2008 (individual)
Royal Geographical Society - Mozambique Contemporary View by 8 Leading Artists, 1-5 Junho 2009
53 Works of Art at Mio Dino – colectiva de artistas africanos, Outubro 2009
The Spence Café – Londres, Abril 2010 (individual)






"Lisboa revisitada"

Fotografia de Pedro Soares



No âmbito desta exposição, realizar-se-à uma Palestra proferida pelo Dr José-Augusto França sobre " Monte Oliveti, a minha aldeia",no dia 12 de Fevereiro às 18h30













Paula Cabral - Art Gallery / Café dos ArtistasRua do Século, 1711200 - 434 Lisboa
Tel./Fax: 21 3426014Móvel: 91 236 6519
www.paulacabral-artgallery.com (em construção)
(Junto à Praça de Taxis do Jardim do Príncipe Real)

HORÁRIO: Terça a Sábado das 12h00 às 20h00

paula.cabral.artgallery@gmail.com